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O que é Libertarianismo?

Zimbardo, 08/01/202517/04/2025

É compreensível que muita gente não entenda o termo Anarco-Capitalismo. Existe uma série de motivos para isso, trata-se de uma combinação de duas coisas que são historicamente extremos contrários da balança ideológica : O Anarquismo são claramente ideias de esquerda, prega a abolição da propriedade privada inclusive cunhando a famosa frase “propriedade é roubo”. Já Capitalismo estaria na direita baseado-se totalmente na Liberdade Econômica, Propriedade Privada e na acumulação de Capital.

O Capitalismo é o que muitos veem ser o que há de pior no que vivemos hoje, entendendo que o Estado é necessário como um freio que o impede de destruir o mundo. Portanto se o aliamos com o Anarquismo, ou seja a ausência do estado – ou, a ausência desse freio, com o Capitalismo, chegaríamos em uma ruptura total, potencialmente catastrófica para a sociedade.

Karl Marx, o precursor do Comunismo, não fazia distinção entre o Estado e os donos de Capital, ambos seriam uma coisa só, uma estrutura opressora só. Nos tempos atuais, a esquerda por algum motivo histórico cultural não considera mais o Estado como um agente opressor, o opressor seria apenas o Capitalismo sozinho, e até mesmo o contrário, o Estado seira a solução para o problema.

A esquerda considera completamente incompatível agrupar as ideias anarquistas com os princípios capitalistas. Considera que se você é contra os grandes donos do capital e com a ausência do estado, automaticamente você teria que debandar para alguma forma de coletivismo socialista de esquerda.

A direita considera um absurdo a ideia de anarquia, consideram uma utopia socialista impossível. Não consideram ser possível ter uma sociedade organizada sem nenhum controle central ou sem nenhuma imposição pela força de regras de convivência.

A primeira impressão da grande maioria que ouve o termo Anarco-Capitalismo é a soma das duas criticas anteriores da esquerda e da direita. Anarquia é mal visto pela sociedade, Capitalismo também, ambos os termos evocam sentimentos e memórias ruins. Vários Anarco-Capitalistas admitem que esse termo não é bom e alguns preferem ser chamados de Libertários, ou voluntaristas, ou agoristas.

Todavia, é verdade que o termo pegou e muita gente seguem estas ideias se declarando Anarco-Capitalistas ao invés de outra coisa. Porém para fins práticos e mercadológicos muitos estão preferindo se declarar simplesmente Libertários, pois é um nome mais suave e que igualmente evoca as mesmas ideias. Neste vídeo usaremos o termo Anarco-Capitalismo, pois queremos nos aprofundar nesse termo específico, mas neste canal em geral adotamos predominantemente o termo Libertarianismo para se referir a essas idéias.

O que é Anarco-Capitalismo?

A estranheza inicial neste termo deriva apenas de um problema semântico e das diferentes definições desses termos. No final das contas Anarco-Capitalismo é algo muito simples. Muito pequeno mesmo e não diz como a sociedade deve funcionar. Num país Anarco-Capitalista você pode ter pessoas que queiram viver de maneira socialista, ou até mesmo de maneira comunista se quiser. Não há nenhuma problema com isso.

Capitalismo, segundo a esquerda, é conhecido como união dos donos de Capital com a finalidade de usar todas as técnicas possíveis, sem nenhum filtro moral, sem preocupação sobre aspectos humanos, sociais, ambientais e culturais a fim de convencer o máximo número de pessoas possíveis para comprar seus produtos, oprimi-las ganhando assim mais dinheiro e, portanto, mais poder. 

Para a direita, Capitalismo não tem esse mesmo significado. É apenas um sistema funcional de alocação de recursos escassos, orientados pela meritocracia. Aquele que serve melhor ganha um prêmio, aquele que serve pouco a sociedade, não tem problema, porém é pouco recompensado economicamente.

Não é um sistema de punição, mas sim de premiação. Considerando a pobreza a condição básica de todo ser vivo, e aqueles que fazem mais comércio, mais trocas, mais serviços, mais fogem dessa condição de pobreza. Os monopólios e oligopólios formados é apenas um aspecto negativo do Capitalismo que é preciso ser combatido pelo estado, na visão da direita. Mas em tese, o mercado tem o mínimo interferência do estado.

Ou seja, o próprio termo Capitalismo tem definições distintas. Quando alguém de esquerda diz “abaixo ao Capitalismo” o que ela quer dizer de fato é “abaixo às pessoas que monopolizam o mercado e ganham fortunas de dinheiro e exploram os outros”, muitas vezes estas pessoas estão Ok com o fato de existir preços para alocar os recursos, embora defendam que seja fortemente regulado pelo estado. A questão é que a direita defende a mesma coisa.

Quando uma pessoa de direita defende o Capitalismo ela está apenas defendendo o sistema de preços para a alocação dos recursos escassos, mas defende pouca regulação do estado na economia.

Não tenha dúvida, são definições distintas que representam visões de mundo distintas, mas ambas usam o mesmo termo Capitalismo.

Em última análise, ambas estariam de acordo e são contra o acumulo de Capital na mão de poucos e ambas estão Ok com o sistema de preços para a distribuição de recursos na sociedade. O que difere apenas é que a percepção das causas para esse problema e suas soluções são diametralmente distintas.

O termo “Capitalismo” usado em “Anarco-Capitalismo”, para os Libertários, é mais próximo da definição da direita. Pois defende o livre mercado e propriedade privada e só, nada além disso. Em outras palavras nenhuma regulação do estado na economia – o que é seu é seu, sem relativização. Não queremos monopólios e donos do mundo, apenas entendemos que o estado não é uma ferramenta capaz de resolver esse problema.

Defendemos Livre Mercado por aspectos conceituais que falaremos em outro vídeo, mas principalmente por um aspecto prático, observamos que quanto mais livre melhor as técnicas, as tecnologias, as trocas voluntárias e maior a abundância de recursos e riqueza na sociedade como um todo. No entanto, defendemos propriedade privada por um aspecto Ético, pois se você trabalhou de forma legítima, gerou valor e ficou melhor de forma honesta, isso é seu e ninguém deveria relativizar por um ideal de bem maior para os outros, que nunca ninguém alcançou. Independente da quantidade de riqueza que você acumulou com o seu próprio trabalho.

Obviamente, questionamos pessoas que acumulam riqueza através de roubo, favores, política, e outros métodos duvidosos e não Libertários.

Mas mesmo esses termos Livre Mercado e Propriedade Privada têm diferentes conotações. Livre mercado no Anarco-Capitalismo significa simplesmente o direito inalienável de qualquer pessoa vender sua propriedade, seus bens e seu trabalho para outra pessoa, sem interferência nem regulação de ninguém. Nem de um grupo de pessoas que se proclama autoridade, e isso deve ser feito de forma voluntária.

Ninguém é obrigado a vender nada para ninguém, igualmente ninguém é obrigado a comprar nada de ninguém. Qualquer troca voluntária é legítima e isso é, em última análise, o Livre Mercado.

A propriedade privada na visão Anarco-Capitalista é um dos direitos mais básicos e fundamentais entre todos os demais direitos humanos. Todo o resto são derivados do direito de propriedade.

Propriedade refere-se a qualquer bem escasso, portanto entende-se a propriedade privada de forma universal aplicável a terrenos, imóveis, coisas, bens pessoais, dentre outros. Qualquer coisa escassa é objeto de propriedade privada. Não há distinção entre a propriedade pessoal e a propriedade dos meios de produção.

Se algo é escasso, então existe a possibilidade de ser apropriado por alguém. No final das contas a propriedade privada no conceito Anarco-Capitalista é uma propriedade privada jus-natural. Se você é o primeiro a usar delimitar e defender um bem escasso ele é seu por apropriação primária. Ou, então, você pode adquirir bens através de uma troca voluntária. Essa troca pode ou não envolver dinheiro como qualquer comércio.

O termo “Anarquia” em “Anarco-Capitalismo” não é da mesma forma entendido pelos Libertários como ausência total de regras. Não é cada um faz o que quiser e ninguém precisa prestar contas de nada. Este termo significa simplesmente ausência de coerção de um grupo de pessoas sobre outros. A sociedade continua tendo que ter regras para um bom funcionamento social.

O ser humano é, de fato, um ser social e precisamos de regras de boa convivência para viver em paz em uma sociedade. Temos que encontrar um jeito de ter paz levando em consideração a natureza humana, que as pessoas serão egotistas e muitas vezes pensarão em si só.

Anarquismo significa apenas a ausência de coerção de regimes monolíticos que impõem regras arbitrárias as quais muitas vezes não são produtivas para a sociedade. Obviamente não estamos falando de direitos jus-naturais.

Todos estão de acordo que é errado roubar, por exemplo. Que forçar outra pessoa a fazer o que você quer que ela faça também é errado. Muitos outros crimes são errados e não é preciso que esteja escrito em algum lugar para que você passe a seguir tal regra. Digamos 99% da população nunca leu a constituição e as leis que devemos seguir e mesmo assim todo mundo segue a maior parte delas e não há nenhum problema. Tais regras, que é o principio do Jus-Naturalismo já é aceito por todos sem nenhuma necessidade de imposição.

Veja, o estado não é errado por si só, ele só é errado porque ele impõe uma relação contratual de duas partes, o Estado e o Cidadão. Impõe regras arbitrárias, regras não jus-naturais sendo que não houve o aceite por todas as partes – da parte do cidadão. Ou você assinou algum contrato de cidadania? As pessoas objeto dessas regras não têm a possibilidade de recisão de contrato. Em direito uma relação dessa forma é nula de direito, no entanto o estado não aplica esse princípio para si próprio. Explicaremos mais sobre contrato no vídeo “O que é um contrato?”.

E o que observamos na prática é que tais regras na maioria das vezes tem muito mais o objetivo de privilegiar certos grupos de poder do que promover uma paz social de fato.

Mesmo no Anarco-Capitalismo, poderia haver um governo desde que você só participe dele se você quiser. O que não poderia existir é um governo coercitivo porque isso é em última análise uma forma de escravidão. O que impede por exemplo de um grupo de pessoas “colonizar” o estado e usar deste para criar regras apenas para se manter no poder e gerar privilégios para si próprio? Nada! O que prova que a sociedade que vivemos hoje já não é assim, pessoas no poder gerando privilégios para si próprios? Nada!


Nós Libertários acreditamos que existe um conjunto básico de regras : A Ética Libertária que é um pequeno conjunto de normas absolutas que precisam ser obedecidas por todas as pessoas para uma convivência pacífica.

Além dessas regras universais as pessoas podem livremente fazer leis entre si, contratos voluntariamente aceitos, se você assina um contrato você se compromete com tais leis privadas.

Mas onde surgiu essa Ética Libertária? E quem vai definir esse conjunto mínimo de regras que todo mundo precisa obedecer? Esse conjunto pode ser descoberto por qualquer pessoa que decida descobri-a, trata-se de uma derivação jus-natural.

Qual é esse conjunto mínimo de regras que todo mundo precisa obedecer? Qualquer conjunto de pessoas que se dispuseram encontrar de forma lógica um mínimo de regras que permita a convivência pacífica vai fatalmente chegar a um conjunto de regras muito parecido. Quanto mais pessoas entrarem nesse grupo maior a tendência desse mínimo de regras absolutas convergir à mesma coisa. Chamamos esse conjunto mínimo de regras que todos concordam de Ética Libertária. Alguns Anarco-Capitalistas consideram ser possível até derivar logicamente a priori quais seriam essas regras, o exemplo mais avançado disso é chamada Ética Argumentativa. Temos um vídeo no canal só sobre isso “O que é a Ética Argumentativa?”.

Note que não estamos falando que a totalidade das regras da sociedade serão parte dessa ética universal. Em outras palavras, não estamos afirmando que a totalidade das pessoas do mundo irão concordar com o mesmo exato conjunto de regras. Ao contrário, temos um pequeno conjunto de regras, um mínimo ético que absolutamente todo mundo concorda.

Esse mínimo ético se torna mais nítido quanto mais pessoas entram na conta. Digamos que duas pessoas listem o que acham ser absolutamente certo, a interseção dessas regras é a Ética Libertária dessas duas pessoas. Se aumentarmos o grupo para dez pessoas, provavelmente o mínimo ético vai diminuir um pouco. Se aumentarmos para cem pessoas, vai ter um conjunto ainda menor. Enfim, se aumentarmos esse grupo para toda a sociedade humana o que sobra no final? Justamente a Ética Libertária. O conjunto de regras que todos aceitam.

Obviamente que um grande número de outras regras terão que existir para um convívio pacífico. Neste caso, precisam ser negociadas havendo também punições para eventuais infrações às próprias regras. A questão toda é que ao invés de um pequeno grupo de eleitos definir as regras como um país obrigando todas as pessoa nasceram ali usando a força, entendemos que essas regras podem ser decididas dentro de um mercado de regras.

Empresas de leis privadas geram um conjunto de leis que as pessoas assinam. Pense como quando você contrata um plano de celular, se tiver ruim, caro, com muitas obrigações e poucos benefícios você troca de operadora. Igualmente, o governo se propõe a fornecer segurança para você, para isso ele condiciona você aceitar e obedecer determinadas regras, que inclui também pagar imposto ou uma mensalidade. A diferença nesse caso é que você pode “contratar” o governo que você achar melhor. Se por ventura o governo ficar ruim, você pode mudar de governo, como você muda de operadora de celular. Você não é obrigado a aceitar só um governo em função de onde você nasceu ou de onde você mora.

Explicaremos esse conceito em detalhes no vídeo “O que é uma sociedade de leis privadas?”. No final das contas o Anarco-Capitalismo não é uma ideologia como a esquerda ou como a direita, como comunismo ou capitalismo, é na verdade uma disciplina jurídica inovadora. Um conjunto de regras não coercitivas que permite uma convivência humana pacífica uma vez que exista um núcleo universal, uma Ética Libertária universal já aceita por todos.

Do ponto de vista desta Ética Libertária qualquer legislação coercitiva qualquer ordem que um deputado inventou e que você é obrigado a seguir é uma forma de escravidão. Que direito tem um deputado de te obrigar a fazer alguma coisa? Até que ponto podemos ter certeza que ele está visando mesmo o melhor para mim? E a que ponto podemos ter certeza que o que ele está fazendo vai ser efetivamente bom para a sociedade?

Antes da questão prática, sua liberdade é algo inviolável. Não existe nenhuma pessoa ou um grupo de pessoas que estão acima de você. Todos somos iguais e, mesmo que precisemos de organizar a sociedade, nada legitima uma pessoa impôr o que quer que seja a outra pessoa, mesmo que isso seja o melhor para ela.

Desde que você não agrida o Princípio da Não-Agressão (não inicie violência contra ninguém – explicaremos em um vídeo exclusivo “O que é Princípio da Não-Agressão?”) e também não agrida a Ética Libertária (não vá contra o que todos concordam ser correto) você só deve obedecer a uma regra se você concordar com ela. Você concorda com uma regra se você explicitamente aceitou ela em um contrato, o que deve prever uma cláusula de saída (senão torna-se nulo de direito).

Basicamente Anarco-Capitalismo é isso, apenas isso. Ninguém tem o direito de impor através da força regras para outras ou puni-las por qualquer coisa que você tenha feito que não vá contra os princípios básicos. E se por ventura há um acordo, é preciso haver uma cláusula de saída. Anarco-Capitalismo é só isso. Em tese nada precisa mudar na realidade factual das coisas. A única expectativa portanto é que países que abusarem das lei vão ver muitos de seus cidadãos romperem seus contratos e assinando com outros países mais eficientes, assim como pessoas mudam de plano de celular.

Na prática, não sabemos como a sociedade seria, mas qualquer que seja a forma que nos organizemos como sociedade Libertária, devemos respeitar os princípios éticos Libertários que falamos há pouco. Mas podemos imaginar como achamos que seria, para isso vamos dar uma pincelada na historia do estado.

Em um primeiro momento a igreja era um agente central que impunha as regras da sociedade, ditava a moral, punia e direcionava a população exercendo portanto poder sobre a sociedade. Em seguida com os avanços do conhecimento, com a chegada da prensa de Guttemberg, a chegada da informação ampla, a população se emancipou e a igreja perdeu esse poder todo e passou então a ser um agente voluntário. Você frequenta a igreja se quiser, você paga o dízimo se quiser, você segue as regras se quiser e principalmente, se você quiser se desligar e não fazer mais parte você tem total liberdade para sair e ninguém vai te perseguir ou extorquir.

Com o estado acreditamos que pode acontecer algo parecido. Com a chegada da informação as pessoas estão cada vez mais soberanas para buscar suprir suas necessidades o que era anteriormente gerenciado pelo estado. Neste sentido o estado está cada vez mais desnecessário.

Todavia ainda assim será necessário haver segurança jurídica e harmonia social. Neste sentido acreditamos que entidades jurídicas poderão atender esta demanda, como qualquer demanda de um mercado. Na prática isso pode ser apenas uma empresa que você contrata a qual, como todo contrato, tem obrigações e benefícios.

Haveria um conjunto de regras que estas empresas exijam que você siga. Você não poderá cometer crimes por exemplo. Uma vez seguido tais regras,  essa empresa te oferecerá segurança em múltiplos aspectos da vida. Se você for roubado por exemplo essa empresa se ocupará de resolver o problema, seja procurando investigar, colocando o agressor na justiça ou até ressarcindo a sua perda financeira, como uma seguradora. Essa empresa entra na lógica do mercado, empresas de segurança boas tenderão a ser mais buscadas, empresas ruins que não resolvem os problemas da sociedade tenderão a fechar as portas.

Pode existir uma empresa onde você pague uma mensalidade alta ou impostos altos (ou como queira chamar) mas ao mesmo tempo te oferece uma ampla vantagem, segurança jurídica, segurança social, seguro desemprego, assistência médica e muitas outras coisas. Uma grande segurança pessoal tanto quanto uma garantia de que não vai haver crime que as pessoas não vão roubar seus bens e sua propriedade e que mesmo que isso aconteça haveria seguros que amortizariam a perda. A garantia de que se você sofrer um acidente você vai ser cuidado pela empresa e que se você ficar inválido você receberá uma aposentadoria para poder continuar vivendo dignamente.

Pode existir em contrapartida uma empresa com mensalidades baixas, mas que oferecem menos vantagens. Você escolhe a empresa que melhor lhe convier. Como as pessoas estão cada vez mais soberanas, haveria mercado para todo tipo de serviço, desde o mais amplo, quanto ao menos amplo.

As empresas de segurança privada vão precisar cortar custos oferecer um melhor serviço pelo menor custo. Não haveria necessidade de sustentar centenas de deputados vivendo em condições faraônicas nem sustentar o estado que na prática é um buraco negro de desperdício de recursos.

Muitas questões surgem nesse cenário, mas existem respostas para todas essas situações. Uma delas é : Se duas pessoas de empresas de segurança diferentes tiverem um problema qual lei seguir? Quem irá apagar os incêndios? Quem iria cuidar dos pobres, aqueles que não tem dinheiro nem para pagar um plano de celular quanto mais um plano de segurança jurídica? Essa é a beleza do Anarco-Capitalismo, nada impede que exista empresas baratinhas ou até mesmo gratuitas que se monetizam de outras formas.

Veja, os emails são gratuitos, o WhatsApp, Facebook, Youtube, a televisão, o rádio, tradutores online, serviços de inteligência artificial e uma infinidade de serviços privados já são gratuitos, pois o custo da informação têm baixado exponencialmente tendendo praticamente a zero.

O Anarco-Capitalismo é estudado há mais de um século e tem diversas respostas para todas as questões no que se refere a como a sociedade funcionaria. Algumas respostas podem ser simplesmente tirados do próprio entendimento como funciona o direito internacional que já lida muito com isso. Os países já funcionam hoje em um sistema Anarco-Capitalista entre eles. Outras respostas podem ser obtidas na “Common Law”, a disciplina jurídica muito comum em países de língua inglesa. Muitos vídeos serão feitos aqui no canal e você irá achar respostas para todas estas questões específicas.

Agora, antes de tentarmos prever como a sociedade funcionaria é preciso lembrar que tudo que o Anarco-Capitalismo prega é que você só precisa obedecer aquele mínimo de regras pré-definido e as regras que você aceita voluntariamente.

Todas as derivações do mínimo de regras necessárias para a convivência humana indicam que só existe uma fórmula de divisão pacífica de recursos escassos, é a propriedade privada jus-natural. Isso pode ser derivado tanto através do método indutivo a priori da Ética Argumentativa (a qual falamos em outro vídeo “O que é Ética Argumentativa?”) quanto a posteriori através da simples busca daquele mínimo comum de regras que permeia todas as sociedades. Em todos os casos sempre se chega na propriedade privada como sendo algo fundamental para convivência pacífica (falamos mais sobre a teoria da propriedade privada em um outro vídeo específico “O que é Propriedade Privada?”).

Há quem possa dizer que no livre mercado, onde cada um busca o lucro próprio, aqueles que ferirem a Ética Libertária eventualmente estariam em vantagem. Então, isso levaria a cada vez mais as empresas tirarem proveito de uma forma ou de outra. Mas isso é falso, pois em um ambiente de livre mercado e de livre escolha, as empresas que tiverem práticas predatórias terão um custo maior em seus produtos e serviços em relação às outras empresas que não têm esse custo. Esse tipo de prática só é possível em um ambiente de mercado monopolista, que normalmente é criado artificialmente pelas leis estatais.

Cada um vive da maneira que achar melhor (não ferindo a Ética Libertária sempre), as maneiras que trouxerem mais prosperidade, mais harmonia e mais paz são as que vão prosperar e perdurar no tempo.

Por um outro lado as pessoas que queiram viver de modos alternativos tanto têm a liberdade de ser feliz vivendo da maneira que queiram sem repressão, quanto propiciam a possibilidade de criar uma nova maneira de viver ainda melhor que ainda não conhecemos que pode ser a maneira que irá nos salvar em um futuro em um cenário que ainda não conhecemos.

Sem a Ética Libertária estamos vivendo em escravidão e ninguém tem o direito de impor regras a você a menos que não exista absolutamente nenhuma outra forma de manter a convivência pacífica. Historicamente o Anarco-Capitalismo deriva do Jus-Naturalismo que vem de John Locke, a teoria evoluiu em paralelo com a escola austríaca de economia de Ludwig von Mises e outros. Mas foi Murray Rothbard que uniu as duas escolas de pensamento formando a ideia de Anarco-Capitalismo, a qual preferimos chamar de Libertarianismo. Teremos vídeos sobre todos esses personagens no canal.

Semelhantemente, quando você é um religioso você está sendo um Libertário. Veja, a maior parte das pessoas religiosas seguem a sua fé mas não forçam outras pessoas, do contrário respeita e não impõe sua visão de mundo para os outros. Existe uma minoria da minoria que pratica coisas horríveis, mas não caiamos no erro de dar exemplo de exceção.

Muitos funcionários públicos se descobrem Libertários até porque quem já trabalhou no governo geralmente são as primeiras pessoas que percebem a sua total ineficiência e muitas vezes sua total inutilidade. 

Veja os cartórios de imóveis por exemplo. Essa organização surgiu num período antes da revolução da informatização, das redes e da internet. Veja, é um problema real, os cartórios surgiram porque não existia uma outra maneira de resolver o problema, o problema de se saber de qual imóvel é de quem. Então criaram-se organizações e cargos, leis e imposições para gerar essa máquina que hoje chamamos de cartório. Todavia, já existe a muito tempo outras soluções tecnológicas para resolver esse problema com uma fração do custo.

Mas os cartórios já viraram uma espécie de classe que tem interesse e vontade própria, tem poder e não vai deixar morrer tão facilmente. Não há interesse político em desfazer isso por uma infinidade de fatores, há pressões de muitos lados, o jogo de poder é muito mais complicado do que se pode explicar nesse vídeo. Em resumo, ainda teremos que pagar taxas absurdas de transferência de imóveis que poderiam ser muito mais baratas apenas para sustentar um mercado que tem poder.

Posso ser Libertário e estudar em escola pública? Com certeza sim, você já paga imposto por isso, melhor usar se não houver uma opção melhor. Posso ser Libertário e pagar impostos? Você até pode, mas é contra-produtivo, na verdade a maior parte dos impostos você nem consegue deixar de pagar mesmo que queira. E justamente por isso imposto é roubo, independente se é benéfico ou não para as pessoas que recebem o dinheiro desse roubo. É sua obrigação moral diminuir ao máximo o pagamento de imposto. Mas é lógico, se você achar melhor pagar para não comprar uma briga com o estado – pague. O estado é poderoso e pode e vai fazer maldade contra as pessoas que se levantam contra. Mas busque sempre todas as possibilidades de evitar de pagar dentro do possível.

Posso ser Anarco-Capitalista e votar? Desde que você não obrigue outras pessoas a fazer algo é seu direito sim votar e isso não legitima o estado. Você está fazendo isso para tentar, dentro da sua possibilidade minúscula, minimizar a ação estatal.

O estado por sua natureza fere a Ética Libertária ao impor coercitivamente regras e portanto jamais será legítimo. Mas como Anarco-Capitalismo iria resolver o problema do meio ambiente? Da desigualdade social? Temos vídeos no canal sobre todos os temas, é muito mais simples do que parece. Existe soluções teóricas para tudo isso, e podem surgir outras soluções que ainda ninguém imaginou. 

Mas, via de regra, entendemos que a Ética Libertária é inegociável, mesmo que ela piorasse o ambiente, mesmo que ela piorasse a desigualdade social não há nada que se possa ser feito porque a alternativa a isso é escravidão e escravidão é inaceitável. Pois Liberdade é o fim último da vida (dentro dos princípios Libertários e de Não-Agressão sempre), afinal qual é o sentido de vivermos em uma sociedade equalitária e funcional de formigas? Felizmente, não é o caso, a Ética Libertária melhora todos as diversas questões que gravitam a sociedade.

Entendemos que posicionamentos políticos são multidimensionais e portanto não somos nem de esquerda nem de direita. O diagrama de Nolan (que falamos nesse canal também) é um pouco melhor para explicar isso, mas o ideal mesmo é esquecer essas classificações. Obviamente  e necessariamente um desses lados multidimensionais se aproximam mais da Liberdade. Estaremos sempre do lado da Liberdade. 

Agora, o ponto que a maior parte das pessoas têm dúvida é : Como nós Libertários pretendemos implementar esse sistema? Vamos derrubar o governo? Ou vamos eleger representantes que diminuam o estado até extinção dele? Existem sim algumas pessoas que pregam uma revolução ou uma transição, uma coisa ou outra. Todavia acreditamos que a maior parte das pessoas sabem que essas alternativas são pouco prováveis. Nenhuma milícia anarquista seria tão forte quanto um exército estatal, e a maior parte da população está mais preocupada com outras coisas coisas, com as contas a pagar, com o famosinho tal com a dancinha da internet da moda. A maior parte das pessoas está bem acomodada sendo escravos de políticos e obedecendo as ordens estatais. É pouco provável ganharmos pela via eleitoral.

Nossa visão é que o Anarco-Capitalismo é inevitável economicamente. A sociedade vai naturalmente caminhar para isso, pois a sociedade enriquece desse maneira. As pessoas vão fazer escolhas e sem se dar conta a justiça, a segurança social, as organizações estão sendo pouco a pouco substituídas por soluções privadas. Sinais disso estão em toda parte.

Os Estados Unidos por exemplo, é o país mais livre do mundo e é justamente por isso que prosperou tanto, pois a inteligência coletiva da sociedade com a liberdade oferecida é mais capaz de gerar riqueza do que um grupo pequeno de gestores central. Obviamente alguns pontos ainda são melhores geridos com planejamento central, mais isso é uma tendência decrescente. O Estados Unidos é próspero dessa maneira pois culturalmente soube identificar o que é melhor gerido com planejamento central e o que é melhor gerido pela inteligência coletiva da sociedade, deixando cada um cuidar do que é bom naquilo. Mas não se engane, os Estados Unidos ainda é um Estado, e ainda assim é algo ilegítimo, acontece que por enquanto este estado ainda promove liberdade que é o que enriquece de fato.

A razão pela qual iremos chegar numa sociedade Anarco-Capitalista é a informação ampla, barata e distribuída. Quanto mais tivermos informações sobre outras pessoas, quanto mais barato forem essas informações, quanto mais a informação circula na sociedade, quanto mais ampliarmos o conhecimento humano menor a necessidade do estado que tem como premissa básica organizar a sociedade.

Quanto mais cada um de nós se torna consumidor e produtor de informação mais tendemos a isso. A informação descentralizada leva a perda de poder de grandes estruturas não só o governo fica em posição economicamente vulnerável, mas também grandes empresas passam a ter desvantagens em relação aos serviços prestados diretamente no Livre Mercado. E não é só isso, com informações amplas cada vez surgem mais bolhas de pensamento distintas, você certamente já reparou isso hoje em dia. Cada um está na sua bolha de pensamento e é pouco provável que se consiga conciliar todos esses pensamentos políticos em um único poder Central aceito voluntariamente por todos. Essas bolhas estão competindo entre si, e naturalmente existirão as bolhas que prosperam e as bolhas que não prosperam.

Quem vai sair ganhando dessa guerra não importa. O bom vai ganhar do ruim, o bem vai ganhar do mal, o que funciona vai ganhar do que não funciona. O melhor vai ganhar no final apesar dos percalços no caminho. É nesse sentido que toda a história da humanidade caminhou.

Se você já entendeu que o governo é ilegítimo por definição, você já está vivendo no Libertaristão. O governo é ilegítimo ele não tem nenhuma diferença de uma máfia, assim como a Yakuza. Da mesma forma, o estado atual é apenas a máfia mais poderosa que prosperou entre as outras. Prosperou justamente porque retorna algum benefício para a população ao invés de bandear para a maldade pura. Apenas rabiscou em papéis regras aleatórias e convenceu as pessoas que é legítimo, mas igualmente tem o único interesse de criar uma classe que quer viver melhor e para isso precisa explorar as outras pessoas. O estado é imposição e exploração pura pela força. Se você não pagar imposto, do pouco que ainda é possível resistir, vai acontecer alguma maldade com você inevitavelmente.

Todas essas máfias vão perder poder nos próximos anos, invariavelmente, quer você acredite ou não, já vivemos no Libertaristão.


Vídeos relacionados:

  • O que é um contrato?
  • O que é a Ética Argumentativa?
  • O que é uma sociedade de leis privadas?
  • O que é Princípio da Não-Agressão?
  • O que é Propriedade Privada?

 

teórico

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